terça-feira, 22 de junho de 2010

As cartas que eu não escrevi

Olá, pequena


Eu te devo um texto, uma história e uma vida.

Por enquanto, eu te dou essa carta que eu não escrevi. De pronto, eu te aviso: não sei escrever cartas; (des)aprendi na infância, não sei. Há tanta coisa que eu deixei na infância: o choro, a inocência, o desapego. Talvez por essas coisas, me disseram para voltar a ser como criança; talvez para novamente aprender a fazer cartas.
Ser homem é difícil, pequena. Tomar as decisões certas é difícil. Pois, se eu tomar a decisão certa pelo motivo errado, em essência não vale nada; esse mundo já é muito carente de "essência" para que eu cometa mais esse erro nesse tempo errado e tenebroso que nos rodeia.
Eu tomei a decisão com [e por] você. Um [não] beijo, uma [não] paixão, um [não] olhar. Sou responsável por fazer o que acho certo. Pelo motivo certo.
Em essência, todos estamos bem. Rimos do passado e tiramos as lindas lições, interpretações e representações que a história pode nos ensinar.
Lembro que um dia você me disse que classificava teus homens em escalas. Onde eu estaria nas tuas escalas hoje? Eu não sei; mais uma vez não sei.
Uma coisa só eu tenho certeza: eu fiz o que tinha de fazer. Por isso te encontro satisfeito e com sorriso no rosto. Por isso eu faria tudo de novo.
Só que, dessa vez, te escreveria uma carta.
Natal, 2010.

12 comentários:

Yuri Padilha disse...

Sinto-me impotente depois de ter ferido alguém. Lúcido ou negligente. Tanto faz.

Certeza, somente tenho, que seriam MUITAS cartas.

Sinto-me culpado. Só.

Maíra D. disse...

No fim das contas, quem deve é ela. Se, em essência, as intenções foram boas, consequentemente as decisões acabam por ser. Também pq pensar em si as vezes é bom.

Só escrevem boas cartas quem é cuidadoso, pois nelas transbordam o sentimento. Coisa linda!

Ana Andreolli disse...

E tenho montes e montes de cartas, mesmo que mentais, pra distribuir...

Marcio Nicolau disse...

Nossa! Imagina se vc soubesse escrever cartas. rs

Parabéns.

Visite-me, se quiser: www.espacointertextual.blogspot.com

Rute Vieira disse...

Isso é um pedido de perdão, Gustavo? É uma explicação?
Pois se for, eu acho que a única (e melhor) resposta que você poderia receber seria "não tem problema. eu entendo." mesmo que não tivesse realmente entendido. Mas só pela sinceridade, já basta.

Tenho fascínio por cartas! E essa é uma das melhores que já li. Parabéns.

Beijo no ombro.

GABRIEL, gustavo disse...

Ah, essa carta?

É um texto encomendado pelo passado.
^^

Beijo na testa

p.s.: e yuri, não seja tão negativo, valle.

Virna disse...

Eu lembro que vc tinha dito sobre esse texto Oo
Acho

Geladinho esse texto :)

GABRIEL, gustavo disse...

Se alguém, por favor, souber o que é um texto "geladinho", explique.

Nathi disse...

Agora só falta o choro, o desapego e a inocência, sendo que esta talvez seja irreversível.

Vitória disse...

Adorei o "(des)aprendi na infância"
Também me sinto assim agora, que nem você, devo cartas e demonstrações, me sinto culpada, mas sei que fiz o que tinha que fazer.
Estranho, né? Se sentir culpado por fazer o que havia de ser feito? No mínimo são aquelas coisas que a gente esqueceu de desaprender na infância...

João Gilberto disse...

Me lembra um alguém miúdo e de óculos.

Parabéns, doutor.
Um dos meus textos prediletos do Brilhante.

Ana Andreolli disse...

Eu adorei seus comentários nas minahs fotos hehehe!!

Muito thanks ^^

e vê se atualiza por aqui hehehe